quarta-feira, 27 de abril de 2016

ABRIL - O mês da Mentira - V

Boas tardes. Aqui estou de novo tentando transmitir um pouco daquilo que senti durante os quase dois anos e meio em que estive na chamada Guerra Colonial ou do Ultramar.
Como atrás referi e conforme está descrito em várias publicações o início dessa luta foi e sempre será vista como uma guerra de tribos.
 As atrocidades cometidas podem ser vistas em muitas imagens publicadas na net e a maioria delas divulgadas por antigos combatentes que não imagino como se devem ter sentido ao presenciarem muitas daquelas situações. São duras de se ver e espero que me perdoem a sua publicação.

Aqui estão algumas das imagens que se depararam às tropas que chegaram a Nanbuangongo logo após os ataques de 16 de Março de 1961.



Como podem verificar a grande maioria são de naturais de Angola. Foram libertados de quê?
Quem foram os atacantes? A UPA – União dos Povos de Angola. Mas a minha questão será sempre esta. Para libertar o meu país e meu povo, tenho que matar irmãos? Não… … … e a UPA é assim descrita desde o início num extracto do livro escrito pelo excelentíssimo Senhor tenente – coronel António Lopes Pires Nunes.

“ No dia 15 de Março de 1961, Angola acordou sobressaltada com notícias preocupantes sobre algo de muito grave que ocorria nos distritos de Uíge, Zaire e Cuanza Norte. Os portugueses tomaram, então, conhecimento da existência da UPA (União dos Povos de Angola), movimento independentista que, acoitado no Congo ex - belga e com o apoio de algumas organizações internacionais, cometia naquela região um generalizado massacre. Hordas enlouquecidas, armadas com catanas, assassinavam selvaticamente pessoas de todas as raças, credos e idades, destruíam as estruturas económicas e viárias e incendiavam as fazendas e as povoações daquela tão vasta e rica região, fazendo do Norte de Angola um verdadeiro inferno. Desolação, casas fumegantes, estradas cortadas e cadáveres por todo o lado, era só o que a observação aérea podia detectar. As populações aterrorizadas refugiaram-se nas matas, fugiram para os países vizinhos ou acolheram-se a alguns núcleos de resistência, como Carmona, Negage, Mucaba ou Quimbele, aguardando a chegada de socorros. Por seu lado, as autoridades militares reagiram às atrocidades com as poucas forças armadas disponíveis, que unidades metropolitanas reforçaram, e sustiveram o ímpeto da UPA.” 

Aliás quem quiser consultar mais coisas sobre o assunto acedam a:


A partir desta situação tudo se arrasta ao longo do país e todo o povo fica subjugado por uma espécie de ditadura. Digo ditadura e penso ter razão pois aquilo que se foi assistindo ao longo de treze anos foi mau, mas infelizmente piorou para todos os naturais logo a seguir ao chamado dia da liberdade.
Como vos disse amigos esta é minha opinião e pouco mais irei acrescentar por agora.
Fiz muitos amigos naquelas esplêndidas terras e nunca liguei à cor da pele. As amizades não ligam a esses pormenores.
Não nego aqui, que não tenha havido escravatura de parte de alguns salafrários que exploraram os povos, mas hoje isso ainda se vê em quase todo o lado e não estamos isentos dessas situações. Vê-se em Angola, em Moçambique, na Guiné e até aqui no Continente, mas a minha opinião sobre o que se passou ninguém me tira da cabeça.
O 25 Abril não trouxe qualquer benefício à generalidade das populações das ex – Províncias Ultramarinas da maneira que foi consentido. 
Apenas e para terminar por hoje digo que estava previsto no programa governamental em vigor na altura que fosse feita uma consulta popular em meados de 1975 para depois se avançar com eleições livres em 1980, caso fosse essa a vontade demonstrada pelas populações.
Por agora termino estas minhas intervenções.
Até sempre amigos.

Sem comentários: