Boas tardes. Aqui estou de novo tentando transmitir um pouco daquilo
que senti durante os quase dois anos e meio em que estive na chamada Guerra
Colonial ou do Ultramar.
Como atrás referi e conforme está descrito em várias publicações o
início dessa luta foi e sempre será vista como uma guerra de tribos.
As atrocidades cometidas podem
ser vistas em muitas imagens publicadas na net e a maioria delas divulgadas por
antigos combatentes que não imagino como se devem ter sentido ao presenciarem
muitas daquelas situações. São duras de se ver e espero que me perdoem a sua
publicação.
Aqui estão algumas das imagens que se depararam às tropas que chegaram
a Nanbuangongo logo após os ataques de 16 de Março de 1961.
Como podem verificar a grande maioria são de naturais de Angola. Foram
libertados de quê?
Quem foram os atacantes? A UPA – União dos Povos de Angola. Mas a minha
questão será sempre esta. Para libertar o meu país e meu povo, tenho que matar
irmãos? Não… … … e a UPA é assim descrita desde o início num extracto do livro
escrito pelo excelentíssimo Senhor tenente – coronel António Lopes Pires Nunes.
“ No dia
15 de Março de 1961, Angola acordou sobressaltada com notícias preocupantes
sobre algo de muito grave que ocorria nos distritos de Uíge, Zaire e Cuanza
Norte. Os portugueses tomaram, então, conhecimento da existência da UPA (União
dos Povos de Angola), movimento independentista que, acoitado no Congo ex - belga
e com o apoio de algumas organizações internacionais, cometia naquela região um
generalizado massacre. Hordas enlouquecidas, armadas com catanas, assassinavam selvaticamente
pessoas de todas as raças, credos e idades, destruíam as estruturas económicas
e viárias e incendiavam as fazendas e as povoações daquela tão vasta e rica
região, fazendo do Norte de Angola um verdadeiro inferno. Desolação, casas
fumegantes, estradas cortadas e cadáveres por todo o lado, era só o que a
observação aérea podia detectar. As populações aterrorizadas refugiaram-se nas
matas, fugiram para os países vizinhos ou acolheram-se a alguns núcleos de
resistência, como Carmona, Negage, Mucaba ou Quimbele, aguardando a chegada de
socorros. Por seu lado, as autoridades militares reagiram às atrocidades com as
poucas forças armadas disponíveis, que unidades metropolitanas reforçaram, e
sustiveram o ímpeto da UPA.”
Aliás quem quiser consultar mais coisas sobre o assunto acedam a:
A partir desta situação tudo se arrasta ao longo do país e todo o povo
fica subjugado por uma espécie de ditadura. Digo ditadura e penso ter razão
pois aquilo que se foi assistindo ao longo de treze anos foi mau, mas
infelizmente piorou para todos os naturais logo a seguir ao chamado dia da
liberdade.
Como vos disse amigos esta é minha opinião e pouco mais irei
acrescentar por agora.
Fiz muitos amigos naquelas esplêndidas terras e nunca liguei à cor da
pele. As amizades não ligam a esses pormenores.
Não nego aqui, que não tenha havido escravatura de parte de alguns
salafrários que exploraram os povos, mas hoje isso ainda se vê em quase todo o
lado e não estamos isentos dessas situações. Vê-se em Angola, em Moçambique, na
Guiné e até aqui no Continente, mas a minha opinião sobre o que se passou
ninguém me tira da cabeça.
O 25 Abril não trouxe qualquer benefício à generalidade das populações
das ex – Províncias Ultramarinas da maneira que foi consentido.
Apenas e para terminar por hoje digo que estava previsto no programa
governamental em vigor na altura que fosse feita uma consulta popular em meados
de 1975 para depois se avançar com eleições livres em 1980, caso fosse essa a
vontade demonstrada pelas populações.
Por agora termino estas minhas intervenções.
Até sempre amigos.


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