sexta-feira, 22 de abril de 2016

ABRIL - O mês da Mentira - II

Ora então uma vez mais boas noites amigos.
Vou tentar continuar o tema que iniciei sobre aquilo que penso sobre o mês de Abril e em tudo o que aconteceu no fatídico dia vinte cinco (25).
Refiro anteriormente que muita coisa foi ocultada ao Povo, sobretudo que a chamada revolução popular parte de um movimento corporativista.
Agora analisando o facto expresso tento expressar o que é o corporativismo e que se encontra detalhadamente registado neste site:

O corporativismo é um sistema político que atingiu seu completo desenvolvimento teórico e prático na Itália Fascista  (que foi a principal diferença entre o regime Fascista e o Nazista).  De acordo com seus postulados o poder legislativo é atribuído a corporações representativas dos interesses económicos, industriais ou profissionais, nomeadas por intermédio de associações de classe, que através dos quais os cidadãos, devidamente enquadrados, participam na vida política.

Seria isto uma verdade?
Parte do que ouvi e por aquilo que vivi durante cerca de 5 anos, que foi o meu tempo de serviço militar, muitas verdades foram ocultadas ou pervertidas.
Peço uma vez mais desculpas mas a necessidade de relatar esta parte da minha vida pessoal pode tornar mais fácil a compreensão de eu dizer o que digo, mas como em tudo que se passa nas nossas vidas, também posso ter sido ludibriado.
Segundo consta começou a surgir um mal-estar em alguns quadros militares desde 1968, sobretudo com patentes de oficiais, devido às constantes alterações que desde 1966 eram feitas às condições de admissão de jovens à Academia Militar
Não o posso afirmar em concreto, mas muitas das coisas que se passaram e algumas delas representadas em documentos que como disse deixaram de se poder ver em diversos “sites” da “net” com excepção daquele que aqui indico:


Antes do problema da guerra do ultramar era necessário ter sido aprovado no exame de acesso às faculdades para ter acesso àquela unidade, Academia Militar, mas com o correr dos tempos as alterações permitiam que fossem admitidos alunos (cadetes) só com o exame do 7º ano.
Nas armas de cavalaria e infantaria o tempo total do curso era de três anos, seguindo-se depois a colocação como aspirante numa unidade dessas especialidades durante seis meses a um ano consoante as necessidades, sendo depois mobilizados como alferes para o ultramar. As comissões duravam cerca de dois anos sendo o regresso à metrópole como tenente.
Colocados numa unidade da sua arma e depois de uns tempos eram de novo mobilizados e chegavam ao posto de capitão. Este período rondava por norma um período de um ano.
 Ora até chegar ao posto de capitão o tempo total de um aluno da academia era de cerca de sete anos.
Num miliciano era diferente.
Curso nas armas de cavalaria e infantaria demorava seis meses, sendo três meses na recruta e outros três na especialidade onde eram colocados, depois como aspirantes eram colocados numa unidade para formar a companhia onde seriam destacados para o ultramar com a patente de alferes.
Cumprida a comissão regressavam a Portugal e se pretendessem seguir a carreira das armas tinham duas hipóteses. Frequentar um curso na Academia com a duração de um ano, promovidos a tenentes, seguindo após o fim do curso para uma unidade militar afim de formar nova companhia para o ultramar. Conforme as especialidades seguiam já como capitães, passando a pertencer logo ao quadro.
Neste aspecto está na generalidade a diferença. Ora vejam.

Oficial do quadro permanente:
3 anos na Academia como cadete
1 ano numa unidade como aspirante
2 anos no ultramar como alferes
1 ano como tenente no continente e promovidos a capitão ao formarem uma companhia para regressar ao ultramar.
Portanto como se pode ver demora de cerca de SETE anos até ao posto de capitão.

Oficial miliciano:
6 meses de curso como cadete
6 meses até ser mobilizado como aspirante
2 anos como alferes no ultramar
1 ano como tenente no continente sendo de novo mobilizados para ultramar regressando passado um ano
6 meses no continente como tenente a formar nova companhia embarcando de novo para o ultramar como capitão.
Totais dispendidos quatros a cinco anos conformem as especialidades.

Uma outra vertente, era o caso de que a maioria das famílias facilitar a emigração dos seus filhos para evitar a ida deles para o serviço militar obrigatório e assim começa a haver falta de oficiais milicianos o que obrigava os do quadro a terem que avançar para zonas onde a guerrilha actuava deixando o bem estar das sedes dos comandos das unidades, quer fossem batalhões quer fossem companhias e assim estarem sujeitos a muitos maiores perigos.
Depois em Portugal as coisas também não estavam melhores e as dificuldades colocadas pelo governo nos acessos dos milicianos aos quadros levou a que muitos regressassem aos seus empregos.
A morte de bastantes oficiais do quadro depois de 1971/1972 faz surgir um movimento onde estas motivações são colocadas em jogo.
A partir daqui a luta interna é intensificada, mas lá iremos.
Hoje fico por aqui. As minhas saudações amigos.


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